Nasceu em Curitiba, em 10 de fevereiro de 1869, filho de José de Sá Ballão, português, e, de Carolina Schleder Ballão.
Fez o curso de instrução primaria na escola regida por Miguel Scheleder, tendo obtido no exame final em 1882 e, também um prêmio de medalha de ouro, que lhe foi conferido e entregue, em sessão solene, pelo Presidente Carlos de Carvalho.
Em 1883 matriculou-se no curso preparatória para o Instituto Paranaense e, já em 1886 habilitou-se para o magistério primário, logo em seguida foi nomeado professor para freguesia de São João do Triunfo, por ato de 30 de janeiro do mesmo ano assinado pelo Presidente Taunay.
Acabou não assumindo o cargo, obtendo transferência para o bairro do Batel em Curitiba, por ato de 16 de Fevereiro do mesmo ano.
Manteve-se neste cargo por espaço de um ano até que, sendo removido para a cadeira do ltaqui em Campo Largo, pediu e obteve para ficar avulso.
Em 20 de julho ele 1887 publicou o l° número da revista Vida Literária, a qual existiu até 30 de Outubro do mesmo ano, tendo cessado a publicação com o número 12.
Colaboraram na pequena revista, a primeira que se publicou no Paraná, os mais distintos vultos da geração literária daquele tempo, entre os quais: Emiliano Pernetta, Emílio de Menezes, Nestor Victor, Domingos Nascimento, Rocha Pombo e outros.
Em 1888 já se encontrava em Curitiba participando ativamente da vida cultural da cidade.
Ainda no ano 1888 dirigiu a Gazeta Paranaense.
Em 19 de Setembro de 1888 foi nomeado para a Administração dos Correios do Paraná, cargo em que se conservou até abril de 1892, quando foi nomeado diretor do núcleo colonial Rio dos Patos (Palmeira).
Na administração dos Correios serviu sempre como secretario dos administradores, dirigindo também os serviços da Contadoria.
A 22 de Março de 1890 casou-se com Anna Aurea Lisboa Ballão, de cujo matrimonio tiveram os seguintes filhos: Jayme, formado em direito e advogado da Justiça Militar, Antônio, funcionário do Congresso Legislativo, e senhorinha Aurea.
Em 1892 foi designado pela Inspetoria de Terras e Colonização para instalar e dirigir a colônia do Rio Claro, colaborou assiduamente no periódico Diário Popular, de Rocha Pombo e, no periódico A República, na fase da propaganda, no Quinze de Novembro, no Diário do Comercio, no Democrata, etc.
Em l6 de Março de 1893 foi nomeado auxiliar da Comissão de fiscalização do Serviço de Colonização no Paraná.
Ainda no ano de 1893 Funda-se em Curitiba a Companhia Tipográfica, tendo a seguinte Diretoria: Diretores Joaquim Pereira de Macedo, Antônio de Barros. Diretor-Gerente Ricardo de Souza Dias Negrão. Conselho Fiscal: Cyro Velloso, Joaquim Ventura Torres e Jayme Ballão.
A 15 de Novembro de 1893 fundou o Diário do Comercio, periódico que se manteve sob sua direção e redação durante o período revolucionário, até fins de fevereiro de 1894.
No período revolucionário exerceu o cargo de Delegado Literário nomeado por ato de 6 de fevereiro de 1894, do Governo Revolucionário.
Envolvido como jornalista no movimento revolucionário, foi processado e pronunciado por crime de conspiração política pelo juiz federal Dr. Carvalho de Mendonça, foi preso e recolhido ao teatro S. Theodoro, então convertido em prisão do Estado, em companhia de João Antônio Xavier, Luiz Murat, Bento Menezes, Benedicto Enéas de Paula e outros, foi submetido a julgamento do júri federal, reunido no recinto do Congresso Legislativo, sendo absolvido por unanimidade de votos, assim como o foram os outros implicados. Militando na oposição, combateu ardorosamente a situação política, dirigida pelo Dr. Vicente Machado, sendo um dos redatores da Gazeta do Povo, durante toda existência desta.
Em 1896 publicou o poemeto Cecy, coletânea de mimosos e sentidos versos á memória de sua filhinha.
Na eleição da Loja Maçônica Fraternidade Paranaense foi eleito secretário da Loja nos relata o periódico, O Jerusalém edição 34 pag. 8.
Em 25 de Junho de 1900 teve lugar uma grandiosa festa de São João nas dependências da Loja Fraternidade Paranaense com a adoção de Lowtons , tendo Jayme Ballão nesta ocasião adotado um Lowton.
Em 17 de Julho de 1901 teve a desdita de perder a adorada esposa.
Dividindo sua atividade pelas letras, jornalismo, política e indústria, fundou e manteve uma fábrica de ladrilhos hidráulicos na Capital e também a 1° fabrica de café a vapor em Ponta Grossa.
Em Ponta Grossa dirigiu o semanário Gazeta dos Campos, de Joaquim Silva.
Com Nestor de Castro escreveu a revista Coisas do Progresso, musicada por João Itiberê e representada pela Companhia Couto Rocha, no teatro Hauer.
Durante o estado de sítio, foragido no lugar chamado Capivary, escreveu o romance Marty, publicado em folhetim no Diário do Paraná, de Fernando Moreira, em 1894. Editado pela Livraria Modelo, de Ernesto Lima, foi reeditado em edição de luxo pela livraria Aillud, de Paris, em 1908.
Em 21 de Março de 1904 casou-se em segundas núpcias com Maria Luiza da Rocha Ballão, advindo deste matrimonio dois filhos: Vera e Everardo.
Em 1901, residindo no Rio de Janeiro, estabelecido com uma agência comercial de produtos do Paraná, foi convidado pelo Dr. Paula Ramos para fazer parte da Comissão de Propaganda e Expansão Econômica do Brasil, na Europa, ocupando o cargo de Agente comercial do escritório de informações.
Nessa Comissão, representando os interesses do Paraná, prestou ao nosso Estado assinalados serviços escrevendo memorias e informações sobre o Estado e seus produtos, matérias primas etc.,.as quais foram impressas e publicadas em diversas Línguas aos milhares, realizou exposição e degustação de mate em diversas exposições e no Museu Comercial de Paris.
Deixou a comissão para vir residir novamente na sua terra natal.
Em 18 de Abril de 1914 enviuvou pela segunda vez, foi camarista representando a minoria, foi eleito em 1912 para delegado municipal para a educação tomando posse do cargo em sessão e de 1912.
Eleito membro escolhido por seus pares para relator dos orçamentos para os 4 exercícios.
Em 1914 foi nomeado em comissão, pelo Dr. Pedro de Toledo, ministro da Agricultura, para fazer a propaganda da erva mate na Europa, cargo que não aceitou por ter adquirido a empresa do Diário da Tarde, que dirigiu e redigiu durante 3 anos, sendo esta uma das mais brilhantes fases do estimado vespertino, principalmente pela veemente campanha que sustentou, em momento difícil, em pról dos fanáticos do Contestado.
Esteve presente na fundação da Loja Maçônica Jayme Reis em Araucária em 13 de maio de 1914.
Foi reeleito camarista municipal da Capital para o quatriênio de 1916-1920, continuando como relator do orçamento, até findar o seu mandato.
A sua colaboração nas resoluções do legislativo municipal, durante 8 anos, foi constante e fecunda.
Os anais da Câmara Municipal estão repletos de pareceres e projetos, estes na sua quase totalidade convertidos em lei, sobre todos os assumptos de interesse público, não sendo de mais afirmar que reformou ou retocou toda a legislação municipal, contribuindo eficazmente, com as medidas por ele sugeridas ou propostas, para a boa ordem das administrações que se tem sucedido desde 1912, em que a nossa edilidade entrou, realmente, em uma nova fase.
Escreveu, em 1912, o libreto da opera Sidérea, representada sob os auspícios do governo do Dr. Carlos Cavalcanti, sete vezes sucessivas nesta Capital e duas vezes em Ponta Grossa, com grande sucesso.
A obra de Stresser e Ballão foi destaque, nas semanas seguintes, em jornais e revistas de circulação nacional.
Além desta ópera, escreveu peças teatrais, poemas e novelas e algumas de suas obras, são:
Ceci – poemeto de 1896.
Mártir – novela de 1897
Passionata – peça teatral de 1901.
A Foz do Iguaçu e as Cataratas do Iguaçu e do Paraná, de 1921.
As Cartas Falsas, de 1922.
Elogio de Monteiro Tourinho, de 1928.
O Ceguinho, novela de 1929.
Eleito deputado estadual para o biênio .de 1915-1916, foi sucessivamente reeleito para as 1egislaturas seguintes, até a de 1919-1920.
Pertencendo à bancada liberal, foi pela maioria deste encarregado de escrever o manifesto de adesão à direção de Afonso Camargo, ao tempo da Coligação Republicana.
Eleito membro da Comissão de Fazenda do Congresso, e escolhido para relator do orçamento do Estado para os exercícios de 1916 a 1919.
A sua. colaboração no Congresso Legislativo não foi menos operosa e fecunda do que no legislativo municipal, intervindo nos mais importantes debates e apresentando numerosos pareceres e projetos de lei.
Os anais do Congresso apresentam grande número de trabalhos seus, demonstrando a constante preocupação de bem servir aos interesses públicos.
São de sua autoria, entre muitas outras, as leis que equiparam os posseiros nas doações, para o efeito de obterem lotes de 50 hectares de terras, para o efeito da legitimação, como cultura efetiva as simples queimadas e exigindo a cultura intensiva instituindo no Estado o registro de terrenos, constitucionalizando e regularizando o imposto de Patente Comercial, estabelecendo a cobrança das mercadorias depois de incorporadas à economia interna, mas dando a bonificação de 20% aos contribuintes que anteciparem o pagamento. Reformando a lei sobre minas, instituindo o imposto de Beneficência em favor das instituições de caridade, estabelecendo um fundo para a instrução publica, regulando as aposentadorias com a exigência de duas inspeções, instituindo um distintivo para o Presidente ao Estado, concedendo auxílios para a navegação no Alto Paraná, à lavoura de cana de açúcar, cereais, frutas, à indústria do mate e á apicultura, autorizando a construção com favores do Estado da estrada de Ferro de Curitiba ao rio Ribeira pelo rio Pardo, em direção ao Juquiá, favorecendo a erva mate exportada para os estados do norte, etc.
Em 1919 foi eleito 1° secretário do congresso legislativo.
Como Secretario do Congresso reformou a respectiva biblioteca.
Em 1918, por ocasião da ameaça de intervenção federal no Estado, seguiu para o Rio de Janeiro, onde promoveu ativa defesa da situação e do governo do Estado, tendo publicado uma entrevista no periódico A Noite, causando enorme sensação.
Em 1919 foi comissionado pelo governo do Estado para representá-lo no Congresso de expansão econômica do distrito federal, ao qual apresentou duas teses, que foram aprovadas unanimemente:
Uma, que se acha impressa, sob o título Quedas d’agua, matérias primas e riquezas naturais do Estado do Paraná, e outra sobre tarifas e transportes por estradas de ferro. Estava nesta época cursando o quinto ano da faculdade de direito do Rio de Janeiro, tendo obtido aprovações plenas em todos os anos.
Escreveu uma monografia sobre a excursão às cataratas do Iguaçu e Sete Quedas, a qual foi impressa.
Escreveu diversas obras sobre o Paraná, tendo também dirigido o periódico A República por vários anos.
Jayme foi sócio fundador do Centro de Letras do Paraná e o seu presidente no ano de 1922.
É além de tudo pois, um espírito inteligente, prático e laborioso.
Exercia o cargo de oficial do Registro de Títulos de Curitiba e, ainda exercia sua paixão que era escrever como diretor da sucursal da Folha de São Paulo ainda no início de 1930.
Quando em uma sexta-feira, dia 1º de agosto de 1930, Jayme Ballão faleceu, aos 61 anos e 05 meses de idade.
O féretro percorreu Curitiba, saindo de sua residência, na Rua Carlos de Carvalho, terminando no Cemitério Municipal, sendo um dos mais concorridos na Capital do Paraná.
Homenagens Póstumas
As homenagens a este grande curitibano são inúmeras, porém, algumas eternizaram o nome de Jayme Ballão.
Em 1936, na criação da Academia Paranaense de Letras, a instituição homenageou Jayme na condição de Fundador da Cadeira N° 8 e, em 1948 a Câmara Municipal de Curitiba concedeu o seu nome ao batismo de uma das vias da capital.
A Rua Jaime Balão fica no bairro do Hugo Lange (no texto da lei ordinária consta o nome conforme a certidão de nascimento, porém, mais recentemente foi alterada a grafia original em documentos e no mobiliária urbano).
Pesquisa realizada por Hamilton Ferreira Sampaio Junior.


