Augusto Stresser nasceu em Curitiba em, 18 de julho de 1871, filho de Theodoro Stresser, imigrante alemão e Izabel Pletz (conhecida com “Luiza”), brasileira, filha de alemães, foi compositor da primeira ópera paranaense (batizada de Sidéria em homenagem a sua filha), jornalista, ilustrador, artista plástico, escritor e funcionário público.
A família morava em Curitiba, estado do Paraná, numa casa ampla na esquina da Rua da Carioca (hoje Rua Riachuelo) e Rua dos Alemães (hoje Rua 13 de Maio).
Theodoro e Izabel casaram em 23 de janeiro de 1847 e tiveram sete filhos, sendo Augusto o mais novo. Augusto casou com Ernestina Gaertner. O casal teve oito filhos.
Theodoro, pai de Augusto Stresser, era proprietário de uma olaria no bairro Bacacheri, onde iniciou a fabricação das elegantes telhas tipo “Marselha”, a primeira indústria do gênero no Paraná.
Mas nem a família extensa ou o trabalho, comprometiam o envolvimento apaixonado de Augusto Stresser com a arte.
Desde pequeno, demonstrava talento para as belas artes. Consta que aos oito anos já se interessava pela fotografia e pela música, e ganhou do irmão “Jéca” (José Theodoro) uma flauta, que logo aprendeu a tocar. Mais tarde, aprenderia também a tocar flautim, contrabaixo e piano.
Em 1888 com 17 anos já era Orador do Clube Literário “Dr. Pedrosa”, juntamente com grandes nomes que viriam a brilhar na cultura do Paraná.
Além da música, Augusto Stresser também gostava de escrever, desenhar, esculpir e de pintar.
Estudou pintura, escultura e música no Conservatório de Belas Artes, instalado em Curitiba por Paulo Assunção, e colocou todo seu talento em prática, deixando para a posteridade inúmeras obras, seja como músico, compositor, e ainda pintor (telas a óleo), artista plástico (litografias e desenhos), fotógrafo, jornalista, poeta e escritor.
Já adulto, seu amor pela música o levou a ser um dos fundadores do GRÊMIO MUSICAL CARLOS GOMES (criado em 28 de maio de 1893), ao qual se dedicou intensamente, como sócio e também como presidente, cargo que exerceu por longo tempo.
Na fundação do grêmio, a sede social foi instalada na propriedade do professor alemão Krueckmann, uma sala num prédio da Rua Riachuelo, tão pequena que mal cabiam dez pessoas, mais bancos e estantes algo improvisadas, iluminada com lampiões emprestados. Mesmo assim, os membros tenazmente constituíram uma orquestra que, apesar da simplicidade das instalações, fez história e vários concertos nas sociedades musicais da época, nos anos subsequentes.
Em dezembro de 1899, o Grêmio Musical Carlos Gomes já tinha 413 sócios.
Stresser também tocava na orquestra da Catedral Metropolitana de Curitiba.
Durante sua vida, Augusto Stresser também foi jornalista e ilustrador do jornal O GUARANY, do qual foi diretor em 1891, com apenas 21 anos de idade. Neste periódico, Stresser publicou parte de seu trabalho como artista plástico, considerado de excelente qualidade artística. Ainda, em parceria com Leite Júnior, publicou no jornal A FANFARRA, e colaborou no jornal DIÁRIO DA TARDE de Curitiba e no jornal O ITIBERÊ de Paranaguá.
Juntamente com Dario Velozo, em 1892, com seu espírito de liderança e sociabilidade, funda nas oficinas do Club Curitybano (juntamente com Brasílio Costa) o Grêmio “Ensaios Literários”.
Neste ano, as influências do recém chegado da Europa poeta Jean (João) Itiberê da Cunha sobre sua leitura ficam evidenciadas.
Como escultor, na infância junto com amigos, Stresser gostava de moldar figurinhas com o barro das olarias de seu pai.
Conta-se que entre os tijolos que secavam nas prateleiras, encontrou-se bustos humanos e figuras de animais, entre estes o busto de Benjamin Constant feito por Sylvio Schleder, e de Couto Rocha e de Verdi, feitos por Augusto.
Na escultura, a obra mais famosa de Stresser é a medalha comemorativa do “cincoentenário” da elevação do Paraná à Província, quando tirou o primeiro lugar no concurso que foi realizado pelo Governo do Estado, em agosto de 1903.
Também expôs um busto de Apolo e uma estatueta de Vênus, em mostra de Alfredo Andersen, junto com dois ornamentos arquitetônicos (obras ainda preservadas pela família).
Foi funcionário público estadual, chegando ao cargo de delegado fiscal.
Compôs também o “Hino do Cinquentenário” da emancipação política do Paraná.
Na Revolução Federalista apareceu como “Maragato” inclusive na famosa relação de perseguidos, mas ao contrário disto encontramos documentos sugerindo sua ajuda aos feridos através do Grêmio Musical Carlos Gomes, mostrando assim seu caráter humanitário.
Casou- se em 28 de Setembro de 1895 com Ernestina Gaertner.
Teve com Ernestina os seguintes filhos Cecilia, Ary, Zuleica, Adherbal, Jacy, Sidéria, Dinorah, Gastão, Guiomar e Milton.
Músico, desenhista e cultor das belas letras, Augusto Stresser fez também suas incursões no jornalismo doutrinário, na poesia e na então incipiente arte fotográfica.
Na Antologia Paranaense é destacado um soneto, PRIMAVERA, de 02 de agosto de 1908, que dedicou a seu amigo Silveira Netto.
ÓPERA SIDÉRIA
A ópera SIDÉRIA fez estreia em 03 de maio de 1912, no Teatro Guayra (prédio antigo, hoje Biblioteca Pública do Paraná), na cidade de Curitiba. Obra de Augusto Stresser, foi originariamente escrita em 1909 em dois atos, em partitura para piano e vozes. Posteriormente, recebeu acréscimo de um terceiro ato e orquestração de Léo Kessler, adquirindo a forma final como foi apresentada a partir de 1912.
A ópera tem como pano de fundo a Revolução Federalista, que as cidades de Curitiba e Lapa haviam vivenciado poucos anos antes, com dramaticidade, no confronto conhecido como Cerco da Lapa.
Por sua vez, o libreto conta a história de um amor romântico e trágico, no triângulo amoroso entre a jovem Sidéria, o idealista Alceu e o apaixonado Juvenal.
O Maçom
Foi iniciado na Loja Fraternidade Paranaense segundo livro de presenças anexo, inclusive na época que assinou nos informa que o mesmo já era grau 30.
Augusto Stresser também pertenceu a Loja Acácia Paranaense sendo um dos seus fundadores, teve sempre destacada participação em atividades humanitárias e sociais da cidade de Curitiba.
Participou da Loja Apóstolo da Caridade em 1902.
Em 1909 foi organizado pelas Lojas Fraternidade Paranaense, Luz Invisível e Unione e Fratelanza um festival em prol das vítimas de um Terremoto que atingiu a região da Sicília e Calabria na Italia, esse evento foi magistralmente dirigido pelo Dr Niepce da Silva.
Constou de um sarao artístico-literário, no Theatro Guaíra, pois o Templo da Loja apesar de espaçoso tornou-se insuficiente para tal evento.
Augusto Stresser executou a flauta paralisando os ouvintes pela bela apresentação.
Faleceu em 18 de novembro de 1918.
Augusto Stresser faleceu relativamente jovem, aos 47 anos, vítima da devastadora gripe espanhola.
É bisavô da atriz Guta Stresser e do produtor Ronald Sanson Stresser Jr.
Em Curitiba, uma longa via, cercada por comércios, leva o nome do curitibano. A Rua Agusto Stresser passa pelo bairros Juvevê, Alto da Glória e Hugo Lange.
Pesquisa realizada por Hamilton F. Sampaio Junior


