CAFÉ FRATERNAL E PALESTRA NA ARLS JOSÉ BUENO MENDES ABORDA MAÇONARIA EM CUBA E AMÉRICA CENTRAL

AÇÃO POLÍTICA E CIDADANIA: O LEMA DA JBM

Na manhã de 15 de setembro, a ARLS José Bueno Mendes, do Oriente de Curitiba, recebeu o Irmão Luiz Alberto Whitehorne (Gr.33). O Irmão é cidadão cubano, engenheiro naval e mestre em tecnologia, que emigrou de Cuba para a Colômbia e, posteriormente, veio para o Brasil, onde está na condição de asilado humanitário.

A Loja José Bueno Mendes, carinhosamente conhecida como JBM, nasceu com o propósito de ampliar e elevar o nível do debate político no Brasil e agir politicamente para construir e aperfeiçoar o edifício social. Para dar materialidade a esse propósito, a JBM realiza tradicionalmente, todos os meses, uma reunião administrativa aberta a irmãos de todas as potências e orientes, na qual oferece um café da manhã fraternal e recebe personagens que possam apresentar suas ideias, ações e opiniões, debatendo com os irmãos em clima de harmonia, fraternidade e liberdade. Essa prática contribui para o crescimento e maior conhecimento de todos os participantes.

Durante o evento, a Loja proporcionou aos presentes uma instigante palestra sobre as dificuldades e desafios da Maçonaria na América Central, com foco específico em Cuba. O palestrante demonstrou eloquência e profundo conhecimento ao expor sua visão sobre o conceito de liberdade sob a perspectiva política e sua conexão com os princípios maçônicos. O encontro foi muito elogiado pelos presentes, que puderam, ao final, questionar e interagir com o palestrante, que agradeceu a oportunidade e manifestou sua alegria de estar entre Irmãos, viver em um país que acolheu a ele, sua filha, seu genro, onde nasceu seu neto e que oferece oportunidades para todos.

Estiveram presentes o Irmão Luís Mário Luchetta, Grão-Mestre de Honra do GOB-PR, um dos fundadores da JBM e assíduo frequentador das palestras nos “Cafés da JBM”. O Irmão Luchetta enalteceu o objetivo estratégico da JBM e comentou sobre a abordagem do dia:

“A importância do tema reportado hoje pelo Irmão palestrante, especialmente no tocante à relação do atual governo brasileiro com esses países, deveria ter significado sala cheia, com muito mais Irmãos presentes, especialmente os que demonstram indignação com o momento delicado que o Brasil está passando.”

Ele também lembrou de grupos de WhatsApp em que membros evitam discussões sobre o Brasil, preferindo o conforto do silêncio, sem perceber que “a panela está esquentando”, alertando sobre a importância de participar e agir a favor do Brasil e, especialmente, das futuras gerações.

A seguir, um resumo do conteúdo da palestra.

À Glória do Grande Arquiteto do Universo.

O Ir. Whitehorne fez uma calorosa saudação às autoridades maçônicas e aos Irmãos presentes.

Nós, maçons, somos formados por três corpos: um corpo espiritual, um corpo anímico ou emocional e um corpo físico. E a cada um deles correspondem os olhos espirituais, os olhos da alma e os olhos do corpo físico. Cita o Evangelho de Mateus 4:4, que diz: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. O crescimento maçônico é expresso no processo de abertura dos olhos espirituais. No Evangelho, quando diz em João 9:6-12 que um jovem cego de nascença foi curado, e em Marcos 10:46-52 que uma pessoa adulta, o cego Bartimeu, recebeu a abertura dos olhos; e, finalmente, em Marcos 8:22-26, onde Jesus molhou com saliva os olhos de um ancião cego, que recuperou a vista em Betsaida. Esses casos expressam a abertura da consciência à luz do conhecimento nos três níveis e nas diferentes etapas da existência.

Em 1717, foi criada a Grande Loja da Inglaterra, tendo Antony Sayer como Grão-Mestre, e em 1723 foi publicada a Constituição de Anderson, pelo Reverendo James Anderson e pelo sacerdote Jean Théophile Désaguliers.

Em 1762, foi fundada a primeira loja em Cuba, a Loja Militar Efêmera de Havana, composta por militares britânicos, como extensão da Grande Loja de Londres. Esta loja apoiou a tomada de Havana pelos ingleses, de 1762 a 1763. Em 1802, foi criada a primeira loja com raízes cubanas, o Templo das Virtudes.

Em 1862, foi criado o Grande Oriente de Cuba e das Antilhas por Vicente Antonio de Castro, com o objetivo de apoiar a Guerra de Independência de Cuba, composta por Francisco Vicente Aguilera Tamayo, Ignacio Agramonte e Carlos Manuel de Céspedes (O Pai da Pátria). Enfatizaram os fundamentos maçônicos de LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.

Em 1868, o maçom Carlos Manuel de Céspedes, advogado, fazendeiro e dono de engenho, concedeu liberdade aos escravos, convertendo-os em soldados do nascente Exército Mambí, e proclamou o início da guerra de independência em 10 de outubro de 1868.

Em 1880, foi criada a Grande Loja de Colón e Isla de Cuba, resultado da união das lojas criadas durante o século XIX, sendo as mais representativas a Loja de San Andrés, a Grande Loja de Colón, com 28 lojas sob seu domínio, e a Grande Loja da Isla de Cuba, com 18 lojas sob sua jurisdição, fundada em 1876, com Aurelio Almeida como Grão-Mestre e gestor da fusão dessas três obediências maçônicas. A Grande Loja de Colón e Isla de Cuba foi reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra e por outras grandes lojas com as quais mantinha relações.

Durante todo o século XIX, os maçons foram perseguidos por propagarem ideias independentistas. Participaram figuras como Antonio Maceo, Estrada Palma e José Martí, que dizia: “Construiremos uma República escondida dos olhos dos intrusos.”

Em 20 de maio de 1902, a independência de Cuba foi proclamada e a bandeira cubana foi hasteada, sendo o primeiro presidente da república Tomás Estrada Palma. O General Máximo Gómez, em reunião solene, disse: “Chegamos!”.

Em 25 de março de 1951, foi inaugurado o Grande Edifício Maçônico de Cuba, que possui 11 andares, com uma biblioteca e um museu, construído com contribuições financeiras maçônicas, e que perdura até os dias de hoje.

Em 1959, em 1º de janeiro, a revolução cubana, liderada por Fidel Castro, se implantou. Logo determinou intervenção na maçonaria cubana, tomando vários andares do edifício maçônico para instituições do Estado. Além disso, exerceu controle sobre a maçonaria através de uma instituição do Estado totalitário chamada Departamento de Assuntos Religiosos, ao qual se subordinam todas as atividades e associações religiosas do país, incluindo a maçonaria.

Em 2017, foram contabilizadas 320 lojas pelo país, com 27.200 Maçons membros. A ingerência da revolução cubana tem tido uma série de repercussões dentro da maçonaria cubana. Por exemplo, no presente ano de 2025, foi destituído o Respeitável Grão-Mestre Maykel Filema, que havia cometido o roubo de 20.000 dólares que estavam sob sua custódia, segundo os maçons. O Ministério da Justiça, em clara ingerência, tentou mantê-lo no cargo alegando descumprimento do devido processo, o que provocou um conflito com os maçons que, apesar disso, elegeram um novo Mui Respeitável Grão-Mestre, Juan Alberto Kessel, e Víctor Bravo como Grande Secretário, os quais foram detidos pelos órgãos de segurança do Estado, o que demonstra a ingerência e a falta de liberdade.

Há um eixo de políticos compromissados e financiados com o narcotráfico desde o México, ao qual estão conectados os líderes de Cuba, Nicarágua, Venezuela, Brasil e outros países, que impõem uma agenda de subversão dos mais nobres princípios e valores humanos, defendidos pela maçonaria e por cidadãos que têm como objetivo a construção de uma sociedade mais justa, harmônica, humana e economicamente responsável.

Podemos concluir com o presente texto que a criação de lojas maçônicas em nossos países foi perseguida, tornando-se alvo de hostilidades pela Igreja Católica e pelos poderes coloniais. Por ter a maçonaria expressado os fundamentos e ideias do Iluminismo, levou aos movimentos de libertação dos povos e aos ideais republicanos, que vigora atualmente nas democracias liberais, erguendo nosso lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.

É a minha palavra, queridos Irmãos.

Agradeço a atenção e a cortesia que me dispensaram, e estou atento a qualquer uma de suas perguntas.

Triplo abraço fraternal,

Ilustre e poderoso Irmão Luis Alberto Whitehorne Pupo

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